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 O compromisso firmado, em dezembro de 2014, pelo grupo de países emergentes conhecido como Brics – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – prevê o acesso gratuito a esses produtos tanto nesse grupo como nos países que têm baixa renda. Espera-se que 90% das pessoas nesse universo se tratem com sucesso.

Os países do Brics a serem beneficiados com o plano correspondem a 50% dos casos notificados da doença, e, conforme dados da OMS, 80% dos casos de tuberculose concentram-se em 22 países. Assim, fica mais viável o sucesso em relação às metas globais pós-2015 para a redução dos casos de tuberculose multirresistente, contando para isso com a promoção do desenvolvimento tecnológico e o respaldo às iniciativas multilaterais de saúde.

Única produtora da vacina BCG no país, com 15 milhões de doses ao ano, a FAP apoia integralmente essa iniciativa, e avançou muito em relação ao acesso dos brasileiros ao produto, que previne a tuberculose. Por fazer parte do calendário de vacinação dentro do Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde, a BCG é oferecida gratuitamente à população e tem sua distribuição garantida a todos os brasileiros, independentemente das limitações geográficas de um país com dimensões continentais.


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Relatório de 2014 da Stop TB Partnership

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A Stop TB Partnership disponibilizou, no dia 10 de abril de 2015, seu Relatório Anual 2014, no qual ratifica o compromisso de promover a luta mundial contra a tuberculose junto às comunidades TB e partes interessadas, com ambição, ideias e paixão. Ressalta que apesar de a tuberculose ser prevenível e curável, está generalizada no mundo. Refere-se aos dados de 2013 para demonstrar isso: em torno de nove milhões de pessoas tiveram tuberculose e 1,5 milhão morreram por causa da doença, incluindo 360 mil coinfectadas por HIV e 480 mil com resistência aos medicamentos. Deixa, no entanto, a esperança de o mundo caminhar para a cura ao elencar uma série de iniciativas suas junto a parceiros, sobretudo na África, Ásia, América do Sul e América Central.

Cerca de 1,4 milhão de pacientes de tuberculose no mundo têm sido tratados através de intervenções do programa TB Reach junto com Programas Nacionais de Tuberculose (NTPs) e outros parceiros. Até o final de 2014 financiou 142 parceiros em 46 países, que continuam a prover cobertura para melhorar a detecção de casos e inovação em cuidados com tuberculose. Novos projetos receberam recursos do programa com os mesmos objetivos para crianças no Paquistão, para racionalização de serviços de TB a migrantes e garimpeiros no Zimbabwe e para a introdução do teste rápido Xpert MTB/RIF a fim de encontrar casos de tuberculose na República dos Camarões e Guatemala. Também aumentou a aproximação do programa com Organizações Não Governamentais e organizações de comunidades de base.

Outro avanço tem sido a redução dos preços de produtos de linha em mais de 30%, através do trabalho desenvolvido pela iniciativa Global Drug Facility (GDF), para cerca de 26 milhões de pacientes (24,5 milhões de pacientes adultos e 1,3 milhão de crianças). Houve aumento no número de elegíveis fornecedores, contribuindo para um mercado de suplementos de TB com mais qualidade e segurança. O GDF foi estabelecido em 2001 e dá suporte a 134 países que precisam de ajuda no combate à tuberculose com medicamentos, assistência técnica e na condução de missões de treinamento e monitoramento junto aos Programas Nacionais de Tuberculose. Realiza projetos específicos para dar suporte aos doadores como a Unitaid e Kuwait Patients Helping Fund Society (PHFS).

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O relatório também dá relevância aos consideráveis engajamentos dos países do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) na luta contra a tuberculose a partir de 24 de março, quando a Stop TB Partnership reuniu os ministros da Saúde de cada um aproveitando o Dia Mundial de Luta Contra a Tuberculose. Outros eventos sobre tuberculose com a participação do grupo marcaram 2014 e, principalmente, o acordo entre os ministros de 5 de dezembro para objetivos e cooperação por meio de medicamentos. A meta é os 90-90-90, ou seja, 90% de grupos vulneráveis testados, 90% dos doentes com TB diagnosticados e com tratamentos iniciados e 90% de sucesso nos tratamentos até 2020. O avanço nas ações de TB e Aids está entre as prioridades. O ministro da Saúde da África do Sul, Aaron Motsoaledi, escreve na apresentação do relatório sobre essa união.

Algumas mudanças ocorreram na forma e direcionamento de atuação da Stop TB Partnership. O Conselho de Coordenação escolheu o United Nations Office for Project Services (Unops) como seu novo host e administrador. Trata-se de organismo operacional das Nações Unidas que ajuda a implementar mais de mil projetos de construção da paz, ajuda humanitária e desenvolvimento. Essa mudança estabelece uma relação de trabalho mais próxima entre as duas organizações e busca mais eficiência nas ações.

Em relação à Aids, a Stop TB Partnership tem trabalhado mais próxima ao Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/ (Unaids) para estender o trabalho de avaliação das diferenças de se prevenir a doença entre homens e mulheres, com a inclusão da TB.

Fórum na China

Um grupo dedicado ao desenvolvimento de novas vacinas obteve significativos progressos em 2014, que foram objeto do 4º Fórum sobre TB Vacinas, de 21 a 24 de abril em Shangai, na China. No encontro, pesquisadores, desenvolvedores de produtos, indústrias farmacêuticas, governos e partes interessadas dividirão pesquisa de dados para encontrar soluções conjuntas, discutirão e debaterão os caminhos futuros de pesquisa e a formação de novos parceiros e colaboradores.

O link para acesso ao relatório é: http://goo.gl/7uXUbO


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nova postagem

Um lugar histórico na ilha de Paquetá, que foi fundado em 24 de maio de 1927 pela Liga Brasileira Contra a Tuberculose –atual Fundação Ataulpho de Paiva (FAP) –  para isolar os filhos de portadores de tuberculose, crianças que não estavam doentes, mas viviam em más condições de higiene e com desnutrição, possibilita que pais com dificuldades financeiras respirem aliviados por terem onde deixar suas crianças com atendimento pleno e segurança.

Mantido pela FAP, o Preventório Rainha Dona Amélia atende, em uma área total de 56,9 mil metros quadrados, 150 crianças, sendo que cem de 4 a 11 anos na fase escolar e 50 de 2 a 3 anos numa creche de atendimento integral. “É um serviço que dá suporte para o morador poder trabalhar, com a segurança de que os filhos são bem tratados”, disse João Gilberto Garcia, compositor que trabalha na construção civil e tem filho e filha gêmeos, de 5 anos.

O ambiente é bem agradável pela proximidade do mar e extensa vegetação, principais itens que atendiam os critérios científicos para a escolha pela Liga como espaço ideal para a implantação do sanatório infantil que funcionou inicialmente no local. Esse foi denominado Preventório Rainha Dona Amélia em homenagem à rainha, esposa do rei de Portugal Dom Carlos I, que viria ao Brasil, mas faleceu antes vítima de atentado, em Lisboa, junto com seu filho.  O sanatório atendia, sobretudo, moradores do Rio, Niterói e da Baixada Fluminense.

As descobertas terapêuticas sobre a tuberculose contribuíram para o fim do sanatório e na opção pelo atendimento assistencial. A estância de revigoramento físico de crianças candidatas à tuberculose por estarem desnutridas e com más condições de higiene deu lugar ao preventório, que sempre se destacou pelo trabalho social desenvolvido e tinha o regime de internato. Estava mantida a essência de dar assistência a crianças em situação de vulnerabilidade e risco social.

Em 2004, o Dona Amélia deixou de ser internato. As crianças da creche ficam de 7h30 às 17h e participam de atividades educativas e de convivência mútua, aprendem a se alimentar, além de lancharem, almoçarem e receberem cuidados e tratamentos de higiene, saúde e odontológicos. A futura pedagoga Cristiane Veloso de Almeida, que cuida delas, ressaltou a importância da integração social dessas crianças por meio do preventório. “Muitas começam a falar e se alimentar aqui. Em casa, algumas só tomam mamadeira”, observou.

Os serviços de saúde e almoço também são extensivos às crianças em fase escolar. Para essas, que estudam no colégio municipal Joaquim Manoel de Macedo, há divisão em dois turnos, um a partir de 7h e outro de 11h30. Participam de atividades educacionais, coordenadas por Helen Santos, inclusive numa biblioteca, ensino religioso, missas, celebrações solenes, lazer e atividades esportivas como futebol, aprendizado de xadrez e de jiu-jitsu. Todas as crianças atendidas moram em Paquetá e muitas vivem em três comunidades do bairro, que até 2010 tinha 4.147 habitantes.

O preventório presta serviço social e tem em sua equipe 37 pessoas, algumas com nível superior em psicologia, pedagogia, nutrição, odontologia – há um gabinete dentário externo –, medicina e educação física. A irmã Antônia Alves Fernandes, pedagoga e psicóloga que coordena os trabalhos, atua no preventório há 15 anos.  Para ela, é uma questão de doação pessoal da disponibilidade de tempo, já que a maioria dos pais trabalha. “Espero que as crianças cresçam com a concepção de serem cidadãs, de convivência harmoniosa onde vivem e no meio social”, expressou.


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Capacitação profissional em workshop

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Um workshop sobre o tema “Risco Biológico” ministrado pela The Developing Countries Vaccine Manufatures Network (DCVMN) na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), dias 14 e 15 de maio, contribuiu para a capacitação de oito profissionais de nível superior da Fundação Ataulpho de Paiva (FAP) que trabalham com a vacina BCG.

O treinamento ocorreu no Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), no bairro de Manguinhos, Zona Norte do Rio, e ficou centrado na garantia de qualidade, produção, controle de qualidade e pesquisa.

Segundo Márcia Medeiros, responsável pela garantia de qualidade na FAP, a possibilidade da troca de informações e a dinâmica que é utilizada pelos palestrantes do DCVMN permite que todos participem e se tornem elementos multiplicadores do conhecimento adquirido para os demais colaboradores da FAP.

Além da capacitação dos profissionais que trabalham com vacina, há o intercâmbio entre os diversos laboratórios produtores nacionais e internacionais. “O tema ‘Risco Biológico’ é de grande importância tanto para as indústrias quanto para os profissionais que trabalham nos postos de saúde e clínicas manipulando produtos imunobiológicos”, salientou Marcia.

O DCVMN existe desde 2000 e é uma aliança internacional de fabricantes de vacinas que promove a cooperação internacional entre as indústrias desses produtos nos países em desenvolvimento, para proteger as pessoas contra doenças infecciosas, através da melhoria da disponibilidade de vacinas de alta qualidade a nível mundial.

Essa rede fortalece os fabricantes através da prestação de informação e programas profissionais de treinamento, melhorias tecnológicas, inovadoras investigações e desenvolvimentos de vacinas, iniciativas de incentivo de transferência de tecnologias e educação do público sobre a disponibilidade segura, efetiva e acessível de vacinas para todas as pessoas.

Ao longo dos anos, a rede cresceu e alcança hoje 44 fabricantes de vacinas em 16 países e territórios, produzindo e fornecendo 40 tipos delas em diversas apresentações e usando uma variedade de plataformas de tecnologia em torno de 200 produtos. Quase 40 são pré-qualificados pela World Health Organization (WHO).


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ASSIST]~ENCIA DOMINICIÁRIA

O Serviço de Assistência Domiciliária foi criado pela Liga Brasileira de Combate à Tuberculose, atual Fundação Ataulpho de Paiva (FAP), no início do século passado para proporcionar cuidados médicos em casa a pessoas em estado adiantado de tuberculose e sem condições de ir aos dispensários. As ações visavam principalmente descobertas, através de agentes, de focos de contágio tuberculoso para diminuí-los ou saneá-los, a disponibilidade de remédios e alimentação, a remoção para hospitais e a desinfecção dos locais onde os doentes moravam. Atualmente, o Instituto Vila do Rosário, mantido pela FAP, realiza trabalho semelhante no município de Duque de Caxias.

À época da criação do serviço, o então presidente da Liga e desembargador, Ataulpho de Paiva, lembrou o quanto esse correspondia aos anseios do governo federal para levar adiante programa de luta contra a doença. O próprio Paiva assumiu a direção do Serviço, no qual ficou até 8 de março de 1915, substituído pelo médico Garfield de Almeida, que atuava também como chefe de Serviço Clínico. Todos os esforços foram empregados para atender as solicitações feitas por telefone para pronto atendimento no mesmo dia, inicialmente na região da freguesia de Santana, com resultados bastante positivos. A ponto de ocorrer a necessária ampliação do serviço para todo o Distrito Federal e consequente aumento de gastos com medicamentos. A instituição apelou para a ajuda de farmacêuticos e associações de caridade. Obteve total apoio.

No final do segundo ano de funcionamento do Serviço, sua importância estava plenamente justificada, como evidenciou Almeida. Para ele, “a assistência a domicílio representava um recurso valiosíssimo no combate à tuberculose, insulando o doente no domicílio, evitando-lhe fortes desperdícios de energia e vitalidade e restringindo a perambulação de uma permanente fonte de contágio disseminando, com uma prodigalidade espantosa, o germe que lhe corrói impiedosamente a existência”.

Mas tudo começaria a mudar logo após a instalação do governo de Epitácio Pessoa, com a transformação, em 1920, da Diretoria Geral de Saúde Pública em Departamento Nacional de Saúde Pública, que passou a ter a Inspetoria de Profilaxia da Tuberculose para liderar a luta contra a doença. Gradativamente, a Liga passou a priorizar a proteção das crianças, o que deu margem à criação do Preventório Dona Amélia e ao Serviço de Prevenção pelo BCG, embora tenha mantido dispensários e a assistência domiciliária. Essa, no entanto, acabou em 30 de janeiro de 1929.

Vila do Rosário

Um projeto social realizado, há 15 anos, pela FAP, que o patrocina, em parceria com o Instituto Vila do Rosário revive na chamada Grande Vila Rosário, município de Duque de Caxias, o antigo Serviço de Assistência Domiciliária. Tem como grande diferencial um trabalho mais aprimorado de prevenção e conscientização com visitas domicílio a domicílio, por meio de agentes de saúde. A operação concentra-se na identificação das condições socioeconômicas, na busca ativa de casos, no acesso a medicamentos, no tratamento e monitoramento para que não haja interrupção e muita informação. Em torno de 42 mil pessoas são beneficiadas, com a redução de casos da doença de 196 / 100 mil habitantes para 40/100 mil.

Prática histórica

Há informações de que na terceira dinastia do Egito Antigo (século 13 a.C.) já ocorria atendimento médico domiciliar, inclusive para o Faraó num palácio. Na Grécia Antiga, um médico atendia na residência dos pacientes e seus seguidores em templos, onde havia medicamentos e materiais especiais para cura. No continente americano, tal prática já acontecia em 1780 e na Europa no final do século 18. A partir da medicina científica, no século 19, as pessoas doentes tornam-se pacientes, cujo principal destino para convalescerem são os hospitais.

A carência de leitos em hospitais, os riscos de infecções hospitalares, os altos custos das internações, o aumento do número de pessoas idosas e de doenças crônico-degenerativas e o aconchego de casa seriam motivos suficientes para a opção pelo atendimento domiciliar em alguns casos, mas essa não é uma tendência em alguns países como o Brasil, onde o modelo de atenção à saúde predominante está centrado no hospital e saber médico.


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