Possível proibição do uso de cigarro em lugares infantis

O consumo de cigarro, um dos principais vilões no controle da tuberculose, pode estar com os dias contados nos parques infantis, playgrounds, áreas exclusivas para crianças com brinquedos e espaços usados para a prática desportiva profissional ou amadora, incluindo ginásios e estádios esportivos, abertos ou não. Isso vai depender de votação na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do projeto de lei (PLS 344/2013) do Senado para proibir seu uso nesses lugares, além de cigarrilhas, charutos, cachimbos e outros produtos semelhantes. No dia 11 de novembro, a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) aprovou o projeto. A Lei Antifumo  9.294/1996 tende, assim, a ser ampliada.

Conforme notícia veiculada pela Agência Senado, o projeto apresenta como justificativas o impedimento de que crianças fiquem expostas aos efeitos maléficos dos produtos fumígeros, além do zelo pela saúde dos praticantes de esportes e frequentadores de espetáculos em espaços esportivos. Também procura evitar o estímulo às crianças ao uso de cigarro. Alega, como exemplo, o fato de a propaganda do produto ter sido abolida nos meios de comunicação no Brasil, onde, desde meados da década de 80, começou a se fazer intensa campanha contra o consumo dele.


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FAP conscientiza sobre tuberculose

Fabricante da BCG conscientiza sobre tuberculose 2

Única produtora no Brasil da vacina BCG contra a tuberculose, a Fundação Ataulpho de Paiva (FAP), em São Cristóvão, no Rio de Janeiro, tem como filosofia, desde a época em que era Liga Brasileira Contra a Tuberculose, realizar trabalhos de cunho social para conscientização em relação à enfermidade. Dissemina conteúdo informativo e educativo nos campos científico e prático sobre o assunto na internet, com técnicas acuradas de design gráfico e textos que procuram elucidar as melhores formas de se precaver da tuberculose e esclarecer os meios para combatê-la. Além disso, atua na comunidade de Vila Rosário, em Duque de Caxias, e na Ilha de Paquetá no Preventório Rainha Dona Amélia.

Entre os principais focos estão a importância da vacinação com BCG nos primeiros dias de vida e os fatores associados ao abandono do tratamento de tuberculose, que acarreta elevado aumento da incidência da doença: nove em cada cem pacientes que iniciam o tratamento não o levam até o fim, segundo o Ministério da Saúde. O máximo tolerável, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é quase a metade disso: cinco em cada cem.

Por isso a FAP expõe os dez motivos para não interromper o tratamento da tuberculose, a fim de evitar que as cepas da doença fiquem mais fortes, resistentes e se multipliquem, ocasionando a tuberculose multirresistente. Geralmente o tratamento dura seis meses, mas a retomada dele após o abandono prolonga-o em mais de 18 meses e, em muitos casos, significa a própria sentença de morte. O abandono de tratamento tem sido um dos principais entraves para o compromisso assumido pelo Ministério da Saúde de reduzir em 95% os óbitos e em 90% o coeficiente de incidência da tuberculose até 2035.

Além da tuberculose pulmonar, mais conhecida do público, existem outras manifestações clínicas extrapulmonares. A FAP explica que a forma pulmonar desencadeia as demais, pois o Mycobacterium tuberculosis – bacilo de Koch – pode sair do pulmão ou pulmões e entrar na corrente sanguínea, indo, principalmente, a lugares do corpo com mais oxigenação.
Vários aparelhos e sistemas podem ficar comprometidos pela tuberculose, com prevalência das formas pulmonares (85%) nos países onde mais ocorre, tanto primárias como pós-primárias. O contágio acontece quando a pessoa encontra-se com o organismo fragilizado e inala gotículas espalhadas pelo ar provenientes de enfermos, geralmente por meio de tosse, espirro e fala, pela grande quantidade de bacilos de Koch.

Desde 1927, por meio da Liga Brasileira Contra a Tuberculose, atual Fundação Ataulpho de Paiva, desenvolve a vacina BCG, cuja aplicação é gratuita e indicada, na maioria dos casos, logo após o nascimento, de preferência na própria maternidade. O medicamento atua, com eficácia reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), contra a tuberculose e tem acesso gratuito por meio do Ministério da Saúde.

Criada em 4 de agosto de 1900, a Liga iniciou seu trabalho com programa de ação voltado para a propaganda preventiva ou profilática contra o contágio da tuberculose, fundação de estabelecimentos especiais ou sanatórios para a cura sistemática da moléstia no primeiro período e a fundação de hospitais especiais para isolamento e tratamento dos tísicos adiantados. Em 30 de dezembro de 1930, inaugurou o laboratório de preparo do BCG, que até então era fornecido pelo Instituto Vital Brasil.

A Liga inaugurou em 24 de maio de 1927 o Preventório Rainha Dona Amélia, na Ilha de Paquetá, que isolava os filhos de portadores da doença até o final da década de 40, algo não mais necessário após a introdução de antibióticos para tratamento da doença. Mantido pela FAP, depois passou a atender crianças de vários bairros do Rio de Janeiro, funcionando como internato até 2004, e atualmente cuida de 123 crianças, de 2 a 11 anos, em regime de creche de tempo integral.

Outro trabalho social da FAP é o de Vila Rosário Criado, desenvolvido com o Programa de Química Fina para o Combate a Doenças Tropicais (Qtrop), em Duque de Caxias, para o controle da tuberculose. A fase de campo teve início no bairro de Vila Rosário, 2º distrito de Duque de Caxias, em 2000. Com esse trabalho, o número de casos de tuberculose no local baixou para cerca de 50 casos/100mil habitantes, perto da média nacional, porém, bem inferior à média do município de Duque de Caxias (80 casos /100 mil habitantes).

A evolução do trabalho desenvolvido pela FAP junto com o Qtrop resultou na criação em 2010do Instituto Vila Rosário (IVR), instituição não governamental, sem fins lucrativos, mantida pela fundação. Um grupo de cientistas de diferentes universidades e fundações de pesquisa intervém em Vila Rosário usando técnicas e ideias derivadas da ciência e tecnologia. As causas trabalhadas são ligadas à chamada Cadeia de Miséria: doença, fome, baixa renda, carência de educação e cultura inadequada.  O método usado pelo grupo do IVR é baseado na cooperação junto a pessoas que moram na área, inclusive com o aproveitamento do trabalho de mulheres como agentes comunitárias de saúde.


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A importância da notificação de casos de tuberculose2

Se todos profissionais de saúde cumprissem a norma de notificar os casos comprovados de tuberculose (TB), haveria grande avanço no acompanhamento sobre o agravo da doença, mas isso está muito longe do ideal tanto nos serviços de saúde públicos como privados. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), não ocorre notificações dos diagnósticos da doença em 2/3 da população no mundo. Além de descaso, falta de consciência e dificuldades de comunicação, fatores como a grande incidência de casos da coinfecção TB-HIV e da XDR-TB, na qual a Mycobacterium tuberculosis – bactéria causadora da TB – resiste a todos medicamentos.

Os serviços de saúde e as comunidades devem se dedicar a cooperar para as informações dos casos de tuberculose chegarem ao poder público, de forma a poderem ser trabalhadas conforme conceito programático, que compreende os métodos de diagnóstico e as ações organizadas para operacionalizá-los. A comprovação dos diagnósticos se dá por baciloscopia e cultura da tuberculose humana e por médico com base nos resultados de exames complementares. É necessário que o profissional da área de saúde entenda o papel do registro e da notificação dos pacientes.

No Brasil, a tecnologia auxilia bastante na disseminação de informações sobre incidência de tuberculose. O Ministério da Saúde conta com o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), principal fonte de dados do sistema de informação epidemiológica da tuberculose nos níveis federal, estadual e municipal, para o qual as notificações devem ser enviadas. O preenchimento dessas ocorre no Distrito Sanitário ou na Vigilância Epidemiológica (VE) de cada município, de onde há o encaminhamento para as secretarias estaduais de Saúde.

Quando não destina a notificação sobre tuberculose no prazo determinado, fica suspensa pelo SUS a transferência de recursos do Piso de Atenção Básica (PAB) – constitui o montante de recursos federais destinado ao financiamento das ações básicas de saúde – para os municípios.


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Caixa torácica é reconstituída em 3D

A importância da notificação de casos de tuberculose2

Mais um avanço da medicina por meio de próteses impressas em 3D no reparo de partes do corpo danificadas. A caixa torácica, uma das que mais sofre nos casos de tuberculose por perda de elasticidade e problemas de aderência, pela primeira vez passou por esse processo com a recente reconstrução dela em paciente espanhol, de 54 anos, por sarcoma que levou à perda do esterno e um bocado das costelas. O implante de próteses de titânio no Hospital Universitário de Salamanca fluiu bem, a ponto de o paciente receber alta sem qualquer tipo de complicação e com melhoras na função respiratória. Contudo, esse tipo de cirurgia ainda está longe de acontecer massivamente devido ao alto custo, como o cobrado por esse hospital para desenhar as próteses: € 5 mil, o equivalente a R$ 20 mil.

Foram necessários três dias para a intervenção que culminou, de acordo com a revista da Sociedade Europeia de Cirurgia Torácica, numa morfologia torácica normal e excelentes resultados cosméticos. Segundo matéria publicada no site do “El Mundo”, da Espanha, especialistas apontam também para a recuperação mais rápida, melhor mobilidade, aumento das probabilidades de cura e redução de tendências a sequelas devido a uma cirurgia desse porte.  No caso do paciente espanhol, eliminou-se o tumor mediante técnicas de imagem, e a reconstrução se deu baseada nas medidas exatas de dimensão, forma e curvatura. A empresa Lab 22 fez a impressão numa impressora avaliada em US$ 1 milhão.


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A quarentena de navio por tuberculose

Piauí2

 

Para rastreio de tuberculose em 50 passageiros, o navio hidrográfico Dom Carlos I ficou em quarentena, no início desse mês, na península de Troia, ao sul da cidade de Setúbal, em Portugal. A medida ocorreu porque uma oficial angolana, internada no Hospital Curry Cabral, em Lisboa, está com a enfermidade e há suspeitas de que dois tripulantes a contraíram. A embarcação participava de exercícios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Nato, na sigla em inglês).

Esse tipo de opção por quarentena procura conter surtos epidêmicos de doenças previamente cadastradas pelas autoridades sanitárias no mundo inteiro, como os Centros de Controle de Doenças (CDC), ou proteger para que um agente infeccioso não atinja território ou grupo social. Nessa situação, os passageiros não podem desembarcar e os doentes e/ou os familiares de pessoas que apresentam determinados quadros clínicos ficam isolados em domicílios ou internados em hospitais.

A medida vale para casos extremos de tuberculose destinados à saúde da coletividade, pois normalmente não se isola pacientes como se fazia antigamente antes dos avanços terapêuticos ocorridos na década de 50. Parte-se do princípio que deve-se adotar medidas de biossegurança durante os 15 dias do início do tratamento, como o uso de máscaras até por quem está próximo do enfermo em casa. Se a terapêutica à base de combinação de antibióticos estiver a contento, o paciente não transmite mais a doença. A concentração de pessoas em um mesmo local, sobretudo nos sanatórios criados no passado para isolamento dos portadores de tuberculose, tornava o quadro epidêmico muito pior.


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