A trajetória de sucesso da vacina bcg


primeira proteção

Entre 1906 e 1919, os franceses León Charles Albert Calmette (1863-1933), médico e bacteriologista, e Jean-Marie Camille Guérin (1872-1961), veterinário e microbiólogo, desenvolveram a vacina BCG, obtida pela cepa atenuada do bacilo da tuberculose Mycobacterium bovis, encontrado em bois. Ambos trabalhavam no Instituto Pasteur.

A sua primeira aplicação ocorreu, via oral, no Hospital de Caridade em Paris, em 1921, como precaução em relação a um recém-nascido que conviveria com avó tuberculosa. Mais três recém-nascidos receberam a vacina nessa época, e somente em 1942 houve o reconhecimento dela pela Academia Nacional de Medicina de Paris para imunização ativa contra a tuberculose.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) passou a incentivar o uso da BCG a partir de 1948. Em 1974, o Programa Ampliado de Imunizações (PAI) da OMS a incluiu em seu calendário. Em 2012, a BCG Moreau-RJ, produzida pela Fundação Ataulpho de Paiva (FAP), foi reconhecida pela OMS como estirpe de referência mundial, importante nos esforços para controle dos efeitos prejudiciais da tuberculose.

Embora também originárias do Mycobacterium bovis, há vacinas BCG produzidas por outros países, como Dinamarca, Rússia, Japão com variedades biológicas das estirpes.

No Brasil, a primeira imunização com a vacina aconteceu, via oral, em 1927. O primeiro passo para isso ocorreu, em 1925, quando o cientista, médico e professor Arlindo Raymundo de Assis (1896-1966) recebeu uma cultura de BCG enviada pelo seu amigo uruguaio Júlio Elvio Moreau. Após experimentar com sucesso a vacina em coelhos e bovinos, ele foi indicado para iniciar o serviço de prevenção da tuberculose pela vacina BCG na Liga Brasileira Contra a Tuberculose, atual FAP, onde aconteceu a primeira vacinação. Logo, a BCG foi difundida por todo o país.