Parece tuberculose, mas não é


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Há propensão a se confundir o diagnóstico de micobactérias não causadoras de tuberculose (MNT) com o das espécies causadoras dessa enfermidade. A última descoberta nesse campo ocorreu em 2013, quando o geneticista brasileiro Jesus Ramos, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, identificou a pneumopatia sofrida por um paciente no Ceará como bactéria desconhecida denominada Mycobacterium fragae. Os sintomas que provoca lembram muito os da tuberculose, entre os quais infecção no pulmão. A descoberta tornou-se pública após sua apresentação na 44ª Conferência Mundial Sobre Saúde Pulmonar da Union, em Paris.

O paciente chegou a ser submetido a tratamento para tuberculose, mas como não se tratava da doença não houve sucesso. Realizou-se outro tipo de tratamento com base no achado de Ramos, e em 18 meses obteve-se a cura. A nova espécie, detectada na baciloscopia do paciente, ficou definida como três cepas de micobactérias de crescimento lento e sem pigmentos ou matéria corante.

Desde 1938 não ocorria descoberta de micobactéria no Brasil, ano em que o cientista brasileiro José da Costa Cruz, do Instituto Oswaldo Cruz, descreveu a Mycobacterium fortuitum, que acarreta males respiratórios, meningite e endocardite.