Reagente para câncer inicial na bexiga


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A primeira clássica opção no Brasil para o tratamento do câncer de bexiga superficial adulto e pediátrico é o imunomodulador Imuno BCG (Bacilo Calmette-Gueriné intravesical), produzido no país apenas pela Fundação Ataulpho de Paiva (FAP) desde 2005. Sua eficácia chega até a 80% dos tratamentos e, em média, a 70%, com uso em metade dos casos da doença registrados no Brasil, principalmente em São Paulo (50%).

A produção anual do medicamento está em 100 mil doses e pode aumentar para 150 mil com o futuro funcionamento de fábrica da FAP em Xerém, distrito do município de Duque de Caxias. A FAP disponibiliza o Imuno BCG a partir de 24h depois da solicitação em todo o território nacional, onde conta com distribuidores especializados independentes, cuja relação consta no site da FAP.

O Imuno BCG é mais uma etapa na evolução dos estudos feitos em parcerias pela Fundação Ataulpho de Paiva (FAP) para conhecer melhor a estirpe BCG Moreau. Na Inglaterra, teve, em outubro de 2013, o reconhecimento no artigo “BCG imunoterapia para câncer de bexiga — os efeitos das diferenças de subestirpe”, publicado na revista eletrônica “Nature Reviews – Urulogy” como um dos genomas mais interessantes em termos de eficácia e de efeitos menos adversos.

Os imunomoduladores contra o câncer de bexiga inicial são fabricados por diversos países e certificados como reagentes de referência internacional pela Organização Mundial da Saúde (OMS).  Combatem a doença através do estímulo à resposta imunológica do paciente, que varia de indivíduo, época e estágio.

O medicamento é administrado nos casos iniciais, ou seja, quando a musculatura não está atingida, o que se diagnostica por meio da ressecção endoscópica. O tratamento ocorre em hospital ou ambulatório com a instilação intravesical aplicada oito vezes e, posteriormente, com repetição semestral.

Segundo o diretor científico da FAP, Luiz Roberto Castello Branco, o protocolo deve ser seguido à risca, mas muitos não retornam. “Aí a lesão pode se tornar mais invasiva e haver a necessidade de intervenção cirúrgica”, alertou.

 Sintomas

O câncer de bexiga é a segunda maior malignidade de trato urinário no mundo, com estimativa de 382.660 novos casos por ano e 227.526 nos países em desenvolvimento. Conforme o Instituto Nacional de Câncer (Inca), há no Brasil em torno de 10 mil casos de câncer superficial de bexiga por ano. Sangue na urina e o desconforto ao urinar são sinais e sintomas desse mal, cujo principal fator de risco está ligado ao tabagismo.