Suplemento alimentício enfrenta a tuberculose


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Um suplemento alimentício capaz de frear o desenvolvimento da tuberculose com capacidade para gerar resposta imunoprotetora. Esse produto surgiu depois de muitos anos de estudos do Instituto de Investigação em Ciências da Saúde Germans Trias i Pujol, no povoado de Badalona, em Barcelona, e é chamado de Nyaditum resae. Trata-se de um probiótico – produto alimentar que contêm micro-organismos vivos – indicado às pessoas suscetíveis à doença, para aquelas que estão em contato direto com portador de tuberculose ou para as que já a tenham contraído e se recuperado.

Para o desenvolvimento do produto foi criada a Manremyc, primeira empresa derivada do instituto a partir do trabalho dos pesquisadores da Unidade de Tuberculose Experimental (UTE) do Germans Trias. A companhia é liderada pelo médico especialista em microbiologia clínica e doutor em medicina pela Universidade Autônoma de Barcelona (UAB) Pere-Joan Cardona, que desde 1997 se dedica ao estudo dos mecanismos patogênicos da tuberculose.

Cardona concluiu que as pessoas infectadas pela doença e a desenvolvem geram resposta inflamatória demasiadamente intensa contra as bactérias, algo prejudicial contra o próprio corpo, aumentando o tamanho das lesões tuberculosas. A partir disso e de revelar também que o tratamento com antiinflamatórios comuns como o ibuprofeno ajuda a curar a patologia, decidiu buscar mecanismo para regular a resposta inflamatória e evitar que seja bastante exagerada.

Os pesquisadores iniciaram os trabalhos de busca do mecanismo com o bacilo que provoca a doença, o Mycobacterium tuberculosis, mas decidiram analisar outra bactéria da mesma família que, por via oral, pode induzir a tolerância tentada nos estudos. No rio Cardener, na Catalunha, bem próximo ao laboratório do instituto, coletaram a Mycobacterium manresensis, encontrada também na água potável e que deu origem à fabricação do probiótico através de sua inativação por meio do calor.

Segundo a Manremyc, o suplemento alimentar é administrado em comprimidos durante duas semanas e faz com que se reduza o risco de as pessoas infectadas pelo Mycobacterium tuberculosis desenvolvam a doença e o corpo aprenda a tolerá-la de forma natural.  O sistema imunitário passa a considerar a Mycobacterium manresensis como um alimento, possibilitando também a tolerância.  A produção industrial pôde ir adiante com o apoio de vários acionistas e tornou-se própria devido a convênios com a UAB e a Universidade de Barcelona. O produto está patenteado desde 2013.

Inicialmente, o objetivo é atender com o Nyaditum resae os países em vias de desenvolvimento, e já existem planos para vendê-lo, sob prescrição médica, nas farmácias da Índia e do Nepal – países bastante afetados pela doença – a partir do final de 2016. De acordo com Cardona, nos primeiros três anos o produto poderá chegar a cerca de um milhão de pessoas, já que não se trata de um medicamento e, sim, um alimento funcional, além de ser natural e de fabricação barata.