Vacinação com BCG: Muita calma nessa hora


Vacinação com BCG - muita calma nessa hora

Os bebês costumam ficar nervosos a ponto de chorar, mas quem sofre mais antes, durante e depois de qualquer vacinação são as mães. Uma rotina necessária para eles nas várias fases da vida, a fim de criar anticorpos contra terríveis doenças. A vacina BCG, produzida no Brasil apenas pela Fundação Ataulpho de Paiva (FAP), deve ser dada logo após o nascimento na maternidade em dose única, mas muitas mães preferem deixar para depois em postos de saúde ou laboratórios e existe a possibilidade de necessidade da segunda dose. Por isso, valem alguns conselhos às mães para  acalmar os bebês nessa hora, principalmente sobre os chamados ‘5 S’, técnica do pediatra americano Harvey Kemp que imita as condições do útero materno.

A BCG está no calendário nacional básico de vacinação, tem indicação para crianças de zero a 4 anos e visa evitar a tuberculose. Antes de levar o bebê para tomá-la, o ideal é conversar com ele e ficar o mais tranquila possível desde a noite anterior, pois o bebê percebe o nervosismo da mãe e pode começar até a chorar. Quando vesti-lo, deve evitar colocar roupas que atrapalhem a aplicação no braço direito da criança. Também vale muito saber sobre algum local que tenha enfermeiras tranquilas, atenciosas e carinhosas. Quanto à dor da agulhada, cuja procedência vem do líquido da vacina entrando no músculo, não dá para amenizar, mas alguns pediatras indicam colocar produtos naturais para aliviá-la.

Baseado em sua teoria de reflexo calmante – ajuda bebês ainda na barriga e recém-nascidos a se acalmar e adormecer –, o pediatra Harvey Karp dá dicas no livro e DVD “O bebê mais feliz do pedaço” que contribuem para aquietar bebês de zero a três meses. Trata-se dos ‘5 S’, testados no estudo “Effective Analgesia Using Physical Interventions for Infant Immunizations” realizado em 2012 por pesquisadores da Escola de Medicina de Eastern Virgínia, nos EUA.

Os ‘5 S’ foram analisados em 230 crianças entre 2 e 4 meses em meio a vacinações. As crianças ficaram divididas em quatro grupos e se usou combinação de duas variáveis: com água e a utilização ou não de açúcar versus medidas de conforto, e padrão de cuidado, como chupetas e distração, versus os ‘5 S’. As crianças que receberam os ‘5 S’ sentiram muito menos dores e pouco choraram, comparando-se aos demais grupos.

Os ‘S’ da técnica estão nas iniciais de cinco palavras em inglês. O primeiro ‘S’, Swading, refere-se a enrolar bem apertado o corpo do bebê usando pano – cueiro, por exemplo – com cuidado para não pressionar o local onde foi dada a vacina. O segundo ‘S’ vem de Side/stomach position para o bebê ficar deitado no colo com a barriga para baixo.  Um leve balanço tendo o bebê no colo remete ao saculejo no útero causado pelo movimento da mãe e corresponde ao terceiro ‘S’, Swinging. O que ele ouvia ainda quando feto é reproduzido por meio de ‘shiiiii’ em tom baixo emitido pela mãe carregando-o no colo, o que configura o quarto ‘S’ Swinging. Já a última sensação de conforto e segurança é o Sucking, pelo sugar durante a amamentação, pois ajuda a relaxar.

A mancha avermelhada na parte do braço direito onde houve a aplicação da vacina BCG intradérmica aparece, geralmente, na primeira ou na segunda semana depois e significa que teve efeito. Não há necessidade de curativo na ferida que costuma aparecer três a quatro semanas após. Se não existir marca passados seis meses, provavelmente a criança deverá ser submetida à segunda dose da vacina.