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O BCG Moreau, produzido pela Fundação Ataulpho de Paiva, no Rio de Janeiro, foi reconhecido pela OMS após ter sido estudado em 16 laboratórios certificados por essa entidade. Esse medicamento de referência mundial serve para combater a meningite tuberculosa e formas pulmonares e disseminadas da doença, por meio da ativação do sistema imunológico através de vacina.  Composta pelo bacilo de Calmette & Guérin, a estirpe brasileira utilizada na vacina é considerada uma das mais imunogênicas dentre as 12 estirpes vacinais atualmente em uso, que consiste na capacidade do agente biológico estimular a resposta imune no hospedeiro conforme as características desse agente. Tem menos efeitos adversos e proteção bastante elevada.

A vacina BCG serve para a imunização prévia do indivíduo contra a infecção provocada pela Mycrobacterium tuberculosis, agente da tuberculose. Isso favorece a que o organismo possa responder de forma rápida e eficiente ao primeiro contato com o agente infeccioso. É produzida a partir da cepa Moreau RJ, bactérias da tuberculose bovinas vivas Mycobacterium bovis com virulência atenuada, contendo também glutamato de sódio. Em 1978, a FAP consolidou o uso intradérmico da vacina BCG liofilizada, com solução de cloreto de sódio e completa homogeneização, que já vinha sendo usada desde 1972. No ano seguinte, o Brasil abandonou o tratamento com a vacina via oral.


Vacina obrigatória

Normalmente, a vacina BCG é dada a recém-nascidos, que, de acordo com o Manual de Normas para o Controle de Tuberculose, devem ser vacinados nas maternidades. No Brasil, o BCG é indicado para crianças de 0 a 4 anos e, de acordo com a Portaria 452 do Ministério da Saúde, de 6/12/1976, é obrigatório para menores de um ano. Deve-se vacinar o mais precocemente possível, de preferência logo após o nascimento, desde que tenham peso igual ou superior a dois quilos e boas condições clínicas. Indivíduos de qualquer idade podem ser vacinados, embora haja menor grau de proteção.


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Horta

 

As plantas medicinais e nutracêuticas também podem ser cultivadas em hortas de laje e servir como adjuvantes na prevenção e no combate à tuberculose. É o que têm demonstrado as pesquisas realizadas por Marcela Gama, farmacêutica da Fundação Ataulpho de Paiva (FAP), em parceria com a FIOCRUZ e com o trabalho cooperativo das agentes comunitárias do Instituto Vila Rosário (IVR). No projeto piloto, Marcela constatou que se pode cultivar espécies vegetais, selecionadas para este fim, mesmo sem um terreno de grandes extensões.

“O projeto partiu de uma proposta feita no livro Tuberculose e Miséria do professor Cláudio Costa Neto [conselheiro da FAP], com quem eu trabalho na síntese de fármacos estratégicos, particularmente a tuberculose, no viés da química. No viés social, com esse projeto, pudemos constatar que, em apenas alguns meses, produzimos plantas que podem vir a contribuir para a prevenção e como adjuvante ao tratamento da tuberculose. As plantas foram selecionadas, com base na literatura, visando o efeito positivo direto ou indireto contra o Mycobacterium tuberculosis e o reforço da imunidade das pessoas, na medida em que um dos principais fatores relacionados a essa doença é a desnutrição”, destaca.

Em setembro, as agentes comunitárias do IVR puderam utilizar as plantas produzidas para a “Oficina do Alimento”, que acontece todos os meses no Instituto para ensinar à comunidade receitas que reaproveitam os alimentos, como talos de legumes e cascas de frutas. Da horta, foram colhidos tomate-cereja, couve, agrião, capim limão, gengibre, babosa, cenoura, salsa e outros alimentos.

“O pessoal aprendeu que pode plantar em casa, em caixas, na laje e em vários lugares. Além de reaproveitar os alimentos, podemos utilizá-los na cozinha no dia a dia”, disse Joseane Pereira Silva, uma das agentes comunitárias.


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Projeto é patrocinado pela Fundação Ataulpho de Paiva, única produtora de BCG no país

 

 

Cortanto alface

 

As propriedades nutricionais dos alimentos ainda são misteriosas para muita gente. Quem diria que com cascas de batata e de chuchu seria possível fazer deliciosas tortas e até mesmo apetitosos pasteis com talos de legumes? As agentes comunitárias do Instituto Vila do Rosário não só destacam esta novidade como colocam a mão na massa. Durante a última quinta-feira de cada mês, elas realizam a “Oficina do Alimento”, onde ensinam aos moradores da região da Vila Rosário, em Duque de Caxias (RJ), a reaproveitar alimentos e a fazer pratos bastante saudáveis. A atividade é realizada através do Instituto Vila Rosário (IVR), patrocinado pela Fundação Ataulpho de Paiva.

 

Além de combater o desperdício, o reaproveitamento é um importante instrumento de combate à desnutrição e a doenças como a tuberculose. As agentes comunitárias do IVR aprenderam as propriedades dos “restos” de alimentos, através de um curso, realizado em 2010.

 

Cozinheira

 

 

“Nós trabalhamos muito com a fome. Como as famílias que vivem em Vila Rosário são, em sua maioria, pobres e numerosas, é importante que aprendam a reaproveitar legumes, dentre outros alimentos. A alimentação é a base de tudo. Com cidadãos bem nutridos, podemos combater à tuberculose”, ressaltou Josiane Pereira Silva, uma das agentes comunitárias.

 

As oficinas contam com a participação de moradores, entre os quais crianças e adolescentes, que lotam a cozinha do Instituto. Na última oficina, que ocorreu no mês de novembro, houve uma confraternização de encerramento. Cada aluno levou um dos pratos aprendidos no decorrer do ano, como sucos, bolos e, claro, pasteizinhos.


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